Entrevista com Ricardo Borges Simões, CEO da SAF/MeatFinder

2017-09-12

Entrevista com Ricardo Borges Simões, CEO da SAF/MeatFinder

Em maio, aconteceu em Xangai, a maior feira da cadeia de alimentos e bebidas na Ásia, a SIAL China 2017. Uma das principais portas de entrada para o mercado chinês de alimentos e um dos principais acessos aos compradores asiáticos.
Ricardo Borges Simões, fundador e CEO da MeatFinder, esteve por lá para lançar a plataforma MeatFinder na edição da SIAL deste ano. Em entrevista exclusiva, ele conta como foi essa experiência, além das perspectivas de exportações de carnes para a China com o atual cenário político brasileiro e o que esperar desta novidade que pretende facilitar os negócios, tanto para quem vende quanto para quem compra carnes. Confira:

Ricardo, conte como foi o lançamento na Sial China e por que a
importância desta feira para a MeatFinder?
Foi importante porque a resposta também foi positiva por parte dos clientes chineses, em especial àqueles com perfis de Varejo, Processadores e Distribuidores, que enxergaram uma alternativa interessante para suas compras com mais diversidade de ofertas e origem e com a segurança. A Sial Shanghai é uma das mais importantes e tradicionais feira de alimentação da China e não poderia ser diferente para um lançamento de uma plataforma como esta.

Como surgiu a ideia de criar uma plataforma como a MeatFinder? Fale um pouco das particularidades dela.
Somos profissionais do mercado de produção e exportação de proteínas, com experiência na indústria e comercial de uma forma tradicional – hoje intermediando negócios entre fornecedores e importadores. Desde então, no início de 2016, estamos estudando uma alternativa na forma de trabalhar melhor o nosso negocio e a ideia veio em acompanhar a evolução que hoje o mercado mundial de negócios vem apresentando. É uma inovação em nosso negócio, por ser um tanto ortodoxo ou tradicional, porem como se trata de uma alternativa de sucesso em outros negócios, achamos por bem desenvolver esta ferramenta de e-commerce, porém “customizada” para o nosso business de exportação e importação de proteínas, já que “ainda” não há no mercado algo parecido e específico para isso. Esta ferramenta tem como particularidade trabalhar de uma forma neutra, não se posicionando na hora das transações. O objetivo é facilitar e ajudar os negócios, pois além de eficiente, é também transparente e seguro para ambos (fornecedores e compradores).

Levando-se em conta que a pecuária representa 31% de participação no PIB do agronegócio, que só no ano passado foi responsável pela injeção de R$ 400 bi na economia brasileira, como você vê o atual cenário – incluindo o esquema de corrupção envolvendo a fiscalização de carnes no país (Operação Carne Fraca, da PF) – e quais são suas perspectivas para os próximos anos no que diz respeito à reconquista de credibilidade do País em relação ao mercado chinês, por exemplo? O que os fornecedores podem esperar deste novo desafio e do futuro nos negócios?
Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que a MF trabalha com todos os países que são habilitados e exportadores de proteínas para a China, ou seja, não só o Brasil, apesar de ser de origem brasileira. Tentando responder a sua pergunta, apesar do atual cenário, que lamentavelmente prejudica tanto a nossa imagem quanto à exportação (devido à imposição de barreiras por algum tempo, a qual nos prejudicaram não só em volume, mas também nos preços), o nosso mercado sempre trabalhou com players tradicionais, ou seja, envolvendo tanto a compra quanto a venda. De alguma forma essa lista de compradores não é tão extensa, este é um mundo pequeno. Alguns países participam de forma expressiva neste número de exportação, e devido a isso, existe um conhecimento comum entre ambas às partes – produtor/comprador, além de confiança mútua que foi construída ao passar dos anos. Para ter uma ideia, uma grande parte destes compradores do Brasil conhece nosso parque industrial (melhor que consumidores e a imprensa brasileira) e sabem da segurança que temos a oferecer a eles em termos de produção com qualidade. Não é a primeira vez que temos uma tempestade como esta, já tivemos alguns “tsunamis” (caso da febre aftosa) no passado e conseguimos atravessar a tempestade. Por isso, minhas perspectivas para o futuro são positivas e muito otimistas. O mercado da China é um “mundo em desenvolvimento”, prova disso é essa busca por um mecanismo mais seguro, uma plataforma que una a segurança alimentar com foco no setor industrial. A partir daí, será possível comprovar que o Brasil também é um país com capacidade para fornecer não só carne, mas também outros produtos da cadeia alimentar. Obviamente, é necessário respeito, profissionalismo e muita transparência para assegurar aos nossos clientes produto e serviços com excelência.

Voltando a falar um pouco mais sobre a plataforma recém-lançada MF, o que mais te surpreendeu na Sial Shanghai? Aproveitando, fale um pouco também sobre as impressões de um dos maiores importadores de carne do Brasil.
Estávamos bem ansiosos quanto ao lançamento da plataforma, porque não deixa de ser uma ferramenta diferente e inovadora para o nosso mercado que pode se considerar bem tradicional como já disse antes. A MeatFinder ainda está no “túnel de vento” para uma melhor aerodinâmica (de forma figurada), poder atender com excelência o cliente (fornecedor/cliente). Apesar deste processo de desenvolvimento, considero que a nossa participação nesta feira foi de extrema importância onde tivemos um bom feedback não só dos clientes, mas também de possíveis futuros fornecedores. Para a versão 2 da ferramenta, que já está em processo de produção, em breve estará à disposição dos clientes e fornecedores irá atende-los de forma mais adequada. Como disse anteriormente, o mercado da China tem muito a ser explorado, estamos falando de uma população de quase um bi e meio de habitantes, que está cada vez mais exigente, além de ser pioneira neste tipo de Marketplace. A maioria da nova geração já é adepta a este tipo de ferramenta de e-commerce, uma modalidade de compra que une o conforto e a segurança, e por estar acostumada com tais atributos, a recepção foi muito boa. O aperfeiçoamento e adaptações para atendê-los de acordo é parte do processo.

“A crise traz oportunidades” – se você concorda com esta afirmativa, em sua opinião, e baseando-se em seu know-how, como os fornecedores podem driblar essa crise que atinge em cheio o país e está provocando queda nas exportações?
Existe um ditado, “Mar calmo não faz bom marinheiros”… É na adversidade que precisamos mostrar, não só ao mercado, mas também a nós mesmos, que temos a capacidade de reverter e não driblar os problemas encontrados. O que eu quero dizer, é que precisamos aproveitar as oportunidades destas crises para com elas crescer de forma inteligente, revendo nossa maneira de trabalhar a fim de buscar o que é ideal para ocasião, sem subestimar o mercado! Os fornecedores brasileiros são muito mais capazes do que podemos imaginar… só precisam acreditar em sua capacidade de reação; note que em sua grande maioria são indústrias que começaram sem nenhuma estrutura, de maneira artesanal, familiar que passaram por uma transformação profissional e estrutural e hoje detém uma posição importante no mercado, não se diferenciando das demais indústrias overseas.

De que forma a plataforma poderia ajudar um fornecedor exportador de carnes?
É simples, trata-se de uma ferramenta B2B, porém com cara e jeito de B2C. O mecanismo desta plataforma proporciona uma exposição maior de sua marca, produto e oferta, ajudando desta maneira a buscar um melhor valor agregado para seu produto chegando no perfil de cliente desejado, dando mais opção para seu planejamento de vendas neste mercado.

A MeatFinder acabou de ser lançada, quais os planos futuros da plataforma?
No momento, nosso foco esta em trabalhar o mercado chinês para o desenvolvermos a MF, onde já esta em execução um planejamento comercial em toda China, junto com nosso time local, trabalhando na identificação de nosso cliente (por região), para promover esta plataforma. Vamos com a colaboração de todos os colaboradores, clientes e fornecedores buscar uma alternativa importante para o nosso business. O desafio é grande, portanto temos um objetivo ainda a ser alcançado e para isto é necessário foco.

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