O ANO DO PORCO

2020-02-19

O ANO DO PORCO
Por Hudson Silveira

Claro que o ano novo chinês já começou (2020) e não é do porco, é do rato.

Bom vocês têm razão, mas falando do ano passado, que foi o do porco, ele foi muito bom para o setor de carnes no Brasil principalmente e também muito influenciado pelo aumento das exportações para a China. O porco no horóscopo chinês já previa isso. Com o favorecimento do comércio e indústria, projetos são realizados, enfim, tudo relacionado ao trabalho é intensificado. Também previu que era um ano que podia se perder dinheiro, apesar da aparente sensação de abundância e paz durante aquele momento. E olha que no fim do ano a previsão até se aproximou muito sobre as vendas com preços elevados e agora renegociados. Estou quase acreditando neste esoterismo todo. Então, vamos ver o que o rato está prevendo para 2020: Este ano será propício para iniciar um novo projeto, novas empreitadas, oportunidades, mudanças e transformações que podem até ser bruscas. Será um bom ano para a recuperação financeira, o rato ajuda nisto.

Comecei falando de China pois nos últimos tempos o setor olhou muito para este mercado. Quanto às dificuldades da peste suína, ninguém conseguiu ou consegue dimensionar o impacto exato deste surto que reduziu a oferta em mais de 17 milhões de toneladas de carne suína, uma proteína que não teve oportunidade de chegar à mesa dos clientes e abriu uma grande oportunidade de exportação de todos os tipos de carnes, além da elevação do poder econômico chinês que impulsiona o consumo da carne bovina. Há de se tomar cuidado com esse mercado, há uma demanda praticamente ilimitada, onde os exportadores de hoje não conseguem suprir a necessidade, mas os preços não seguem a mesma lógica. Na China e em mais um mercado, bom por sinal, como o México, ou como o Japão, a Coreia do Sul, Cingapura e até Hong Kong, que vem cada vez mais buscando produtos para seu consumo próprio.

Mercados vão e voltam, abrem e fecham, então a boa gestão de vendas diz: olho em todos. A virtude está no equilíbrio, em atender os clientes abertos e parceiros em toda a parte do globo. Não vai aqui uma crítica, cada empresa tem a sua estratégia e o que eu chamo de DNA, mas soube
melhor sobreviver de forma equilibrada aqueles que não depositaram todos os seus ovos na mesma cesta. O Brasil soube bem fazer esta lição de casa no ano passado. Ao mesmo tempo em que alçou a China para mercado preferencial, abriu e distribuiu bem os seus volumes de exportação. Mais de 50% do volume exportado no setor de bovinos estão pulverizados, o que dá mais segurança à cadeia exportadora desta proteína. E o que falar do suíno, então? Um ano de ouro em 2019, que vai continuar também a sê-lo neste ano. Nas aves também não há o que reclamar por enquanto. Tem
pressão de milho com estoques e produção que exigem cautela e bom planejamento para manter os custos dentro do aceitável.

As instabilidades regionais no Oriente Médio, em Hong Kong, novos capítulos nas negociações entre Estados Unidos e China, possibilidade de uma crise de saúde mundial, a recuperação gradual da economia brasileira, tudo isto é um excelente pano de fundo para o agronegócio do Brasil como um todo. Não se esqueçam do nosso mercado, ele tem um potencial de consumo imenso e vai demandar produtos. Flexibilidade para rápida adaptação ao terreno, capacidade de mudar de direção para livrar obstáculos e adaptação a novos modelos de negócio são cada vez mais importantes para as empresas que querem estar no azul neste ano.

O rato já disse: oportunidades, mudanças e transformações, mas com responsabilidade e respeito aos mercados e clientes (nesta brincadeira com o horóscopo, extraí partes do site www.astrocentro.com.br).

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